andar nas nuvens

2009 Novembro 28
por flicts

Comeco a pensar que tenho viajado demasiado quando saio de casa, a caminho do aeroporto, sem muito mais que o passaporte. Com um dia muito animado, reunioes inesperadas, trabalho a mais, pouco tempo sobrou para levantar dinheiro, por seguranca. Ja em Madrid, a sensacao de estar demasiado a vontade com tanta viagem bateu com forca: sai de casa sem dinheiro, com 2 cartoes que nao funcionavam. Um tinha escrito que apenas funciona em Portugal (facto que me escapara ate ao momento), o outro ainda nem estava activado. Assim sendo, 15 euros teriam de ser suficientes para tudo; ou avizinhavam-se uns dias muito pouco divertidos. 500 telefonemas mqis tarde, entre 3 voos, todos com atrasos, consegui visto, taxi mais barato do que o costume (penso que perceberam que ficaria a dormir no aeroporto) e cheguei ao hotel, depois de o taxista me dizer que nao me deixaria onde eu pretendia e olhava em volta a pensar onde e que eu tinha a cabeca.

Pela primeira vez em muito tempo cheguei a uma cidade, noutro continente, e fui “esconder-me” no hotel, nomeadamente dos meus pensamentos relativamente aos proximos dias.

Late morning, pequeno almoco delicioso no Riad 34 para me preparar para o resto do dia. Vieram a ideia as imagens de uma noite pouco recomendavel, principalmente a memoria do rapaz que apontava uma faca a outro. Nao imaginava eu que o primeiro dia seria tao espantoso…

comissão de boas vindas

2009 Novembro 24
por flicts

Ainda no Mekong, na travessia entre o Vietnam e o Cambodja, a diferença na paisagem começa a notar-se. Um país muito pobre vai-se revelando na quantidade de pessoas que se banham nas águas lamacentas, na fragilidade dos acessos ao rio e seus ancoradouros, nos animais esqueléticos que permanecem nas margens.

Algumas horas depois da entrada oficial no país, chegámos ao ponto de desembarque, a uma hora de Phnom Penh, capital do Cambodja. A comissão de boas vindas consistia num barco carregado de gente (para onde iam?) com um ar de estranheza e curiosidade em relação a nós. O espanto era mútuo…

muita fruta

2009 Novembro 20
por flicts

explorando o mekong

2009 Novembro 18
por flicts

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Partida de algures, perto de Ho Chi Minh, com passagem por Cai Be, pernoita no hotel flutuante de algures no meio do rio, passagem por Chau Doc e, finalmente, a chegada ao Kingdom of Cambodia!

Por entre o verde da vegetação, contrastante com o lamaçal líquido, fomos progredindo Mekong adentro, em direcção ao Cambodja. Últimas paragens no Vietnam, últimos momentos para absorver tudo. Procurar os pratos favoritos, sem saber se as iguarias daqui existirão do outro lado da fronteira. Horas a fio dentro de um barco que, não estivéramos em férias e seria mais um pesadelo de barulho, lama e fumo.

Inesquecíveis as paisagens, em zonas mais povoadas, pelo amontoado de casas prontas a mergulhar no rio; fora das localidades, por nos sentirmos uns exploradosres da Indochina: canais mais estreitos e pouco profundos, que nos solicitavam uma ajudinha para o barco não encalhar. Cores variadas, horizontes distintos dos habituais.

Já em Chau Doc, surpreendidas pela cultura muçulmana, ainda que a nossa presença tornasse tudo muito artificial. A estranheza do momento afastou as boas fotografias, mas ficam na memória as pontes mais convidativas que encontrámos.

Ficam também na memória as horas intermináveis passadas no meio do rio, já noite escura, escura, porque o barco ficara sem combustível. Uma daquelas alturas em que nos passa tudo pela cabeça, nos lembramos de todos os scams de que fôramos avisadas, estranhamos logo ali ter conseguido uma viagem tão barata, porque de certeza que nos farão pagar caro. Enfim, apareceu um barco no escuro, com apenas uma lanterna como luz de presença e desenrascaram uns litros daquilo que o barco bebe (além da lama). De caminho para o Cambodja, dormimos no rio, no hotel flutuante, com rede mosquiteira cheiinha de insectos e uma paisagem que me fez desejar esquecer o Cambodja e passar ali mais uns dias.

lisboetas

2009 Novembro 18
por flicts

“Enganada” julgando ir ver o filme Lisboa, de Wim Wenders, dirigi-me para o Bacalhoeiro, onde estaria em exibição o Lisboetas, de Sérgio Tréfaut. Sem qualquer tipo de informação sobre a alternativa forçada, pensei tratar-se de mais um filme acerca das gentes de Alfama ou de qualquer outro bairro típico. Um daqueles filmes que nos dá vontade de sair de máquina fotográfica em punho, ser turista na nossa cidade e registar todos os clichés que fazem destas colinas um bom lugar para passear, viver, namorar, estar.

Não poderia estar mais enganada.Os lisboetas são afinal aqueles que vieram de longe, afastados da terra mãe, atirados aos lobos portugueses, onde, sem apoios, se desiludem com a vida e criam pequenas réstias de esperança. O retrato de uma viragem recente na História nacional, em que observamos de dentro, do seio das comunidades, com um outro olhar, as pessoas que chegam cheias de esperança e muitas vezes vivem com a esperança de partir.

Um olhar duro sobre os portugueses, a tristeza suave que fica quando saímos da sala e repensamos a nossa cidade…

tibet, again

2009 Novembro 16
por flicts

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Enquanto ali estava, observava quem passava. Surpreendia-se com os olhares que se cruzavam, com a tristeza que não sabia se era a sua ou a de quem a olhava. Em vão julgava que se movia. Por mais que caminhasse, a vida apoderava-se da sua mente. Aquela vontade de percorrer todos os caminhos, pisar cada estrada, a forma como absorvia os detalhes, viajava mentalmente através de rasgos de luz e poemas de cor. Então parava, suspendia o mundo num gesto, voltava a lembrar-se de si e da alegria que era estar ali, naquele momento. Só ali. Tanto que o tinha desejado… E partia novamente.

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o largo

2009 Novembro 15
por flicts

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Era o centro da Vila. Os viajantes apeavam-se da diligência e contavam novidades. Era através do Largo que o povo comunicava com o mundo. Também, à falta de notícias, era aí que se inventava alguma coisa que se parecesse com a verdade. O tempo passava, e essa qualquer coisa inventada vinha a ser a verdade. Nada a destruía: tinha vindo do Largo. Assim, o Largo era o centro do mundo. Quem lá dominasse, dominava toda a Vila. Os mais inteligentes e sabedores desciam ao Largo e daí instruíam a Vila. Os valentes erguiam-se no meio do Largo e desafiavam a Vila, dobravam-na à sua vontade. Os bêbados riam-se da Vila, cambaleando, estavam-se nas tintas para todo o mundo, quem quisesse que se ralasse, queriam lá saber- cambaleavam e caíam de borco. Caíam ansiados de tristeza no pó branco do Largo. Era o lugar onde os homens se sentiam grandes em tudo o que a vida dava, quer fosse a valentia, ou a inteligência, ou a tristeza. Os senhores da Vila desciam ao Largo e falavam de igual para igual com os mestres alvanéis, os mestres-ferreiros. E até com os donos do comércio, com os camponeses, com os empregados da Câmara. Até, de igual para igual, com os malteses, os misteriosos e arrogantes vagabundos. Era aí o lugar dos homens, sem distinção de classes. Desses homens antigos que nunca se descobriam diante de ninguém e apenas tiravam o chapéu para deitar-se. Também era lá a melhor escola das crianças. Aí aprendiam as artes ouvindo os mestres artífices, olhando os seus gestos graves. Ou aprendiam a ser valentes, ou bêbados, ou vagabundos. Aprendiam qualquer coisa e tudo era vida. O Largo estava cheio de vida, de valentias, de tragédias. Estava cheio de grandes rasgos de inteligência. E era certo que a criança que aprendesse tudo isto vinha a ser poeta e entristecia por não ficar sempre criança a aprender a vida- a grande e misteriosa vida do Largo.

O Largo (O Fogo e as CInzas de Manuel da Fonseca)

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homestay@ta van

2009 Novembro 15
por flicts

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Paisagens, tempo de descanso e caminhada, banhos de lama inesperados e happy, very happy water.

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huang shan

2009 Novembro 11
por flicts

As montanhas Huangshan foram celebrizadas na pintura e literatura chinesas. As vistas de picos de granito e pinheiros fotogénicos são lindíssimas. Na caminhada, encontram-se inúmeros turistas asiáticos, seguidores de guias entusiasmados pela caminhada.

de cortar a respiração

de cortar a respiração

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Depois do atraso de 15 minutos para apanhar o primeiro táxi,  saímos às 5 e 15 da manhã rumo à bilheteira, já que não se pode tratar da logística com antecedência. A multidão junto ao lugar tornava impossível a formação de qualquer tipo de fila, pelo que ter um companheiro de viagem com 1,80 m e um corte de cabelo de impor respeito não serviu para nada. A lei do empurrão foi o meio de chegar às duas “filas” – uma para o bilhete de entrada no parque das montanhas amarelas, outra para o teleférico, forma de evitar 3 horas de caminhada até ao topo.

Foram apenas 3 horas de espera, quais carneirinhos em sentido, para chegar ao ponto inicial da caminhada. Avizinhava-se um dia bem descansado, a gozar as paisagens e a tirar o pó das articulações.

Na realidade não se passou assim. Depois dos primeiros minutos a ouvir muitos “ahhhhh” em chinês e coreano, fomo-nos fazendo ao caminho, em direcção ao um outro teleférico – que fica a pouco mais de 4 km de distância do primeiro. Não contávamos que as distâncias fossem medidas aéreas, em linha recta, ao invés de corresponderem à distância real. 700 m antes do final da caminhada, faltavam ainda 3 horas para alcançar a meta. Se o horário não fosse cumprido, haveríamos de dispender de mais 3 horas para descer até à aldeia mais próxima, sem iluminação, depois de cair a noite. Dadas as possibilidades, desatámos numa correria escada acima – escada abaixo, num desespero para não perder o teleférico.

De cortar também a respiração, era a exploração de trabalhadores da região, que acartavam pesos desumanos em ombros pouco robustos, durante horas a fio, sob um sol nada amigável, em tarefas facilmente exequíveis por outras alternativas.

IMG_2131Num total de 8 horas e meia de maratona, comprando tudo o que fosse comestível, especialmente sacos de gelados e chocolates para repor energias,  ouvindo muitos “de puta madre” do amigo catalão que me acompanhava, momentos de desespero meus aparte e já convencida de que poderíamos dormir ali mesmo… chegámos ao teleférico 15 minutos antes de encerrar.

Mesmo assim conseguimos perder o autocarro de regresso à cidade de Hangzhou, altura em que a nossa sorte se manifestou. Ao passar de táxi de regresso ao hotel, um homem com uma camisola familiar saiu a correr de um autocarro, mandou parar o nosso táxi e ficámos a conversar com um amigo comum que tínhamos conhecido 2 dias antes, no hostel onde nos instaláramos. Foi mesmo o dia de sorte, porque depois de sobreviver à caminhada mais exigente de que tenho memória (também ainda não foram assim tantas) conseguimos uns lugares improvisados num local bus já lotado, um jantar bem agradável falado em 3 línguas e um bilhete de comboio de regresso a Shanghai.

bac ha

2009 Novembro 10
por flicts

Todos os domingos, pela manhãzinha, habitantes das aldeias vizinhas a Bac Ha deslocam-se para o mercado local, uma festa de cor, salpicada por muitas vestimentas, traços, feições e produtos das mais de cinco dezenas de etnias do Norte vietnamita.

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Já com alguns turistas resistentes às 3 horas de estradas muito sinuosas, de paisagens belíssimas e uma condução de fazer benzer qualquer ateu, não deixa de nos fazer sentir parte de um momento quase medieval, infelizmente sempre com a carapaça tourist with camera. Uma pena que as fotos não estejam ainda ao nível desejado, mas a cor absorvida naquelas horitas de deambulação perdura na memória e deixa saudades…

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