da minha janela…


Durante muito tempo imaginei o que seria visitar uma longa lista de lugares. A minha imaginação é muito limitada, mas no que toca às viagens, os desejos são incontáveis e os sonhos vão-se sucedendo, desenvolvendo e, por vezes, tornando-se reais.

Depois da chegada a Lhassa, ultrapassada (ou melhor, conformada com) a reacção à altitude – a cidade fica a cerca de 3.650m acima do nível do mar – tentei instalar-me no hotel. Passadas várias peripécias para conseguir entrar no Tibete, com as devidas autorizações, imaginei que o hotel de 2 estrelas reservado para mim seria um sacrifício que teria de suportar. Sim, porque 2 estrelas nesta região não deve ser mais do que um buraco com um colchão… Fiquei muito satisfeita por não ter de me arrastar com a subida de degraus, mais uma consequência da baixa oxigenação cerebral…

Quando cheguei ao quarto, não fiquei muito desapontada, nem agradada, até olhar pela janela… não é que a vista era para o Potala?? SIM, para o Potala!!

O Potala, a última residência do Dalai Lama, no Tibete.

 

Supus que a visão deveria ser também devida à dificuldade do meu organismo em adaptar-se tão rapidamente. Arrastei-me pela rua até ao Barkhor, o bairro histórico tibetano. Durante os longos minutos de provação pouco consegui absorver, pois a necessidade de nutrientes estava a agravar-se… apenas consegui torcer o pescoço algumas vezes para ver se o Potala ainda lá estaria… e não é que não saiu do seu lugar??? De regresso ao quarto, empilhei todos os livros que levei para conseguir fotografar a noite no palácio utilizando os meus conhecimentos recentes de velocidade e abertura de qualquer coisa que está dentro da máquina fotográfica e que precisa que lhe dêem ordens muito precisas.

Durante uma hora não consegui deixar aquela janela… A noite negra deixava revelar em todo o seu esplendor o palácio mais bonito de todos. Tinha medo que ao acordar já lá não estivesse e registei o momento enquanto a paciência permitiu (porque na verdade as luzes do Potala apagam-se à meia-noite e aí já não havia velocidade que me valesse…).

De cada vez que observo esta imagem, ainda me custa a acreditar que lá estive realmente, penso que a imaginação me deve estar a pregar uma partida… mas as realidades são as que criamos…

… e na verdade, de manhãzinha cedo, bem cedinho, espreitei pela janela e lá estava o Potala, em toda a sua imponência, à minha espera…

... só para comprovar que era mesmo da minha janela!!

… só para comprovar que era mesmo da minha janela!!

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One thought on “da minha janela…

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