nem acredito


Para chegar ao Tibete atravessa-se o mundo inteiro. Para entrar no reino das neves eternas sai-se deste mundo e entra-se noutro lugar.

Esqueçamos as políticas invasoras, a questão da “liberdade” imposta pelo vizinho encarnado. A libertação pacífica não o foi. Todos o sabemos, ninguém concorda. Para ver esta realidade e aguentar a sua dura verdade, uma visita ao Tibete só poderá ser feita tendo sempre presente que o dragão vermelho reclama esta terra, embora não a tenha.

… a expectativa aumenta para a chegada. Como será estar no país mais lendário e misterioso? Após os dias que passei na China, será a desilusão? Surge o medo da frustração das minhas expectativas. Imagino o Tibete de tantas formas, que a realidade pode ser desesperante e nada do que esperava. Sobreviverá o lendário Tibete ao comunismo? ao consumismo? Será apenas uma extensão da China?

A primeira impressão é de espanto incontido. Entre as nuvens, ainda sentada no avião, vislumbram-se montanhas. Áridas. Centenas de picos. Uma paisagem sem cidades, só uma aridez interminável, infindáveis rasgos de pedra. O avião prossegue e só algum tempo depois se avistam, como que semeadas pelo céu, algumas construções que parecem ter escorregado pela colina abaixo. Meia dúzia de casas em cada uma delas. São provavelmente mosteiros rodeados de algumas habitações de famílias paradas no tempo… Mal consigo conter toda a excitação de chegar, de respirar este ar e descobrir novas coisas… A vontade de sacar da máquina fotográfica não descansa. Quero descer! Pôr os pés neste chão!!
Grupo de turistas. Felizmente, equipados para subir ao Base Camp do Evereste. Não que eu não seja uma turista também, mas todo o teatro que envolve estes grupos dá-me arrepios. Não estão no mesmo Tibete que eu. Acho… Todos recebem as famosas khata, lenços brancos que se oferecem tradicionalmente nos templos e no seio das famílias tibetanas, não me parece que sejam destinados aos invasores da câmara digital…

Começa o sonho. Aqui vou eu…

A caminho de Lhasa, a paisagem é fabulosa. Fenomenal. Quase não respiro e não sei se é só da altitude… Estamos a mais de 3.000 metros longe do mar e perto do céu, mas a sensação de aqui chegar aperta-me o coração.

primeira imagem

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O céu é indescritível, as manadas de iaques salpicam a paisagem com pequenas manchas aqui e além… Espaçadamente, algumas casas tibetanas – apesar dos caixilhos de metal, afinal o sec. XXI está aqui também.  No entanto, a arquitectura mantém ainda os traços tradicionais. Depois da confusão das cidades chinesas, chegar a uma cidade onde consigo orientar-me dá-me o conforto de que necessito e que me garante que é esta a minha escala ideal.

Apetece-me pular de alegria por cá estar e ser completamente absorvida por esta viagem…

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One thought on “nem acredito

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