Em direcção à distância


 

Poucas razões existem para viajarmos. Para aprender Geografia e História, conhecer novas culturas, fugir ao quotidiano, procurar espiritualidade e sentido, encontrar uma nova forma de ser e ver o mundo.Poucas razões, mas muito importantes. Cada vez mais nos direccionamos no sentido de não criar raízes e vejo-me muitas vezes tentada a soltar amarras e viver as viagens como estilo de vida e não uma forma de passar o tempo “livre”.

Raramente consigo encontrar explicação para os destinos que escolho. O Tibete foi o mais desejado e felizmente concretizado. Outros estão por vir brevemente (3 semanas!!) e mais ainda por sonhar.

Desde que a viagem ao Tibete passou de miragem a plano efectivo, meti na cabeça que iria ao Nam Tso, o lago salgado mais alto do mundo. Um lugar de peregrinação de muitos tibetanos, com uma superfície de quase 1900 km2.

A minha primeira ideia, como sempre, foi agarrar numa mochila e ir comprar um bilhete de autocarro para uma povoação próxima do lago. Ultrapassada a primeira dificuldade (descobrir onde fica a estação dos autocarros), a seguinte não teve solução fácil. Pois parece que o governo chinês não aprecia viajantes isolados, pelo que é proibido transportar turistas para fora de Lhasa, sem guia, e assim não nos venderam o bilhete. Lá fui com o rabinho entre as pernas procurar uma agência que me levasse até ao lago. A 2a possibilidade era “perder” o guia e não regressar na data suposta. Também me passou depressa: os carros vão cheios e regressam com o mesmo número de passageiros, pelo que o mais provável seria não ter como regressar. Assim sendo, lá me meti numa viagem de 5,5 horas para chegar ao dito lago.

solidão

solidão

O caminho não poderia ser mais surpreendente: aqui e além colinas salpicadas de iaques, rebanhos de ovelhas, tendas, construções tradicionais isoladas e uma sensação infinita de isolamento. A verdadeira prova de que o destino por si só não interessa – há que aproveitar o caminho!

no topo do mundo

no topo do mundo

Chegados ao lago e após ver tantas imagens do mesmo, não deixou de ser marcante a visão de uma planície imensa, a 4718m de altitude, rodeado, onde a vista alcançava, de picos de 7000m. Um azul transparente, convidativo a uns mergulhos, não fosse o vento frio que queimava a pele e as inibições que ganhei na Ásia. As escassas duas horas passadas deram para absorver a paisagem, subir uma pequena colina – miradouro ideal, repleto de coloridas bandeiras de oração – e visitar o Tashi Dor, o mosteiro construído numa gruta rochosa, no lado sudeste. Deram ainda para tentar uma ida ao WC público, da qual desisti depois de sentir o”aroma” do espaço a uns 200m, pelo que só tive de aguardar mais umas 6 horas…

O Namtso

O Namtso

O mosteiro de Tashi Dor

O mosteiro de Tashi Dor

A sensação de lá estar era inexplicável. Ansiava também pelo regresso, pela paisagem imensa, pela solidão dos cumes.

E há que reconhecer que, não tendo feito a aclimatação necessária, não foi fácil suportar o passeio sem as dores no corpo características e um cansaço dificilmente imaginável. Surpreendida fiquei quando o minibus em que seguíamos deixou de funcionar a meio de uma subida e tivemos de caminhar até aos 5186m, onde o esperámos para a viagem de volta a Lhasa, desta vez sempre a descer.

Valeu a pena pela sensação de concretização, pela beleza da viagem e, sobretudo, pela vontade de conhecer outros lugares recênditos deste país fascinante.

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3 thoughts on “Em direcção à distância

  1. O Namtso ficou fora de rota…
    Mas não o Yamdrok Tso (que está na homepage do 100azimutes) e é um dos 3 maiores lagos do Tibete… Tem 638 km2, um perímetro de 250 kms, profundidade máx de 60 metros e uma reserva de peixe de cerca de 300 milhões de kg – só que a água não é salgada 🙂 🙂
    As montanhas adjacentes variam entre os 5.962 m (Chuwori) e os 7.739 m do Kula Kangri, os 7.200 do Kangpu Kang, os 7.169 do Jejekangpu Kan e os 7.165 do Masa Kang – que fazem fronteira com o Butão 🙂 🙂

    Logo colocarei um post sobre Lhasa 🙂

    Que saudades desses locais… Inté 😦

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