o parque al azhar


Estes três dias no Cairo têm sido espantosos. Muito cansativos: acordar cedo, para começar antes de o sol aquecer acima dos 30º, parar de vez em quando para um chá ou café.

Na segunda-feira queríamos fazer um percurso a pé, que eu tinha visto num website qualquer. Começámos por apanhar um táxi para Abbazhia, onde aparentemente houve alguns confrontos na véspera. Fomos ao mercado de livros antigos, que se misturava, umas ruas à frente, com o de roupas, o de relógios, o de acessórios, enfim… Muito movimento, pessoas que ultrapassam outras, cada um na sua tarefa diária. As mulheres compram, os homens acompanham ou assediam a única estrangeira de braços à mostra. Assediavam de forma desagradável, entre o olhar, comentar com os amigos e dizer qualquer coisa pouco simpática na minha cara. Algumas pessoas facilmente retribuiam um sorriso, outras mostravam-se curiosas ou simplesmente indiferentes. Ao fim de meia hora neste caos, todas as buzinas estavam afinadas, viam-se autocarros em marcha atrás para evitar o estaminé de candeeiros que alguém decidiu colocar na estrada. Motas serpenteavam pelos intervalos exíguos e carroças puxadas a burro, mula ou força humana espremiam-se no espaço que sobrava. Muitos vendedores de rua, daqueles ambulantes, que empurram a loja para onde houver espaço: chás, sumos naturais, figos da índia, espetadas, pão, …

Depois de nos perdermos, encurtámos o percurso a pé com uma viagem até ao mercado Khan el Khalili. Turístico, quente, animado, mas pouco concorrido, já que os turistas deixaram de vir ao Cairo. Umas voltas, um almoço em que nos assaltaram a carteira. Um chá no El Fishawi, uma famosa casa de chá tradicional, que normalmente está a abarrotar. Mais uma vez, vazia. Bebemos serenamente um chá de menta, sentados debaixo da ventoinha. Um café para acordar e tentámos voltar ao percurso. A cada pedido de informações, alguém tentava enfiar-nos numa loja, casa de câmbio, restaurante, …

Encurtámos novamente o percurso até ao próximo destino: a mesquita Ibn Tulun. Fotogénica, pacífica, plácida. As cores da terra convidavam a sentar, a observar o espaço e a derreter mais um pouco.

Tentámos outra vez o táxi. Um velho desdentado sabia onde levar-nos. Tanto sabia que se enganou no caminho no primeiro cruzamento. Levou-nos a uma rua onde mal conseguiu fazer inversão de marcha, pediu-nos o dinheiro e não tinha troco. Mais um táxi.

Desta feita eu queria ir a um jardim panorâmico para ver ao longe a Cidadela, descansar na relva e deixar o fim do dia com uma doce despedida. Só nos resta um dia no egito…

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