# 228


Com o espanto de quem nunca andou de comboio, sentava-se à janela, paralela ao assento. Sorria, comentava com a mãe o que ia surgindo entre estações. Casas, o canal, um avião, pássaros, outros meninos.

Ignorava a máquina fotográfica. Menos quando lhe mostravam a imagem capturada.

E a janela prendia-o outra vez…

O circle train de Yangon é uma das melhores viagens que já fiz. Começa-se logo na estação. Tiram-se duas ou três fotos. Mostram-se a outras tantas pessoas, que começam a rir timidamente – comentam qualquer coisa.

Peço para tirar mais uma foto, desta vez com o telemóvel. Ponho nas suas mãos uma espécie de caixa-máquina cor de rosa. Ao fim de uns segundos começa a sair a fotografia, que ofereço. Recebem o presente-Polaroid com alegria e espanto. Chamam mais uma ou duas pessoas e vão pedindo para tirar fotos às crianças, a toda a família, às mães… A cada foto impressa o olhar de surpresa multiplica-se. Vou tirando outras fotos e apreciando a pequena multidão que se reúne à volta da caixinha mágica. E só depois apanhamos o comboio, já a viagem vai a meio…

… e o ritmo calmo e deliciado da espera na plataforma 4 muda para o sacolejar da carruagem. Lá dentro, o olhar desconfiado em relação aos estrangeiros, a vida que começa e pára em cada estação e o sorriso que se retribui sempre para a máquina fotográfica tornam esta viagem tão especial.

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