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Aqui ninguém manda.

A água rasga a terra, a terra faz deslizar as estradas, as estradas derrubam os camiões. As pontes cedem. Os rios arrastam. As pessoas conformam-se como que a natureza lhes reserva nesta via. Chama-se Manali-Leh Highway, mas pouco tem de autoestrada. É um risco na paisagem, um novelo que se desenrola, linhas curvas em todas as direções, colina acima, montanha abaixo, vale adentro. Em três horas e meia completámos os 48 quilómetros iniciais, até à Rohtanh Pass, subindo mais de dois mil metros em altitude. É um dos pontos mais altos e a passagem para as desejadas descidas. O nome significa, literalmente, “pilhas de cadáveres”, tal o perigo dos precipícios. Os acampamentos e aldeias que se encontram pelo caminho trazem uma paragem, o esticar das pernas e o descanso dos olhos. Os cumes distantes mostram o gelo dos glaciares, os vales revelam o branco dos rios, as pedras arrastadas pela corrente.

Paramos para almoçar numa aldeia, visitamos o templo enquanto a altitude deixa. A caminho de novo. A paisagem não deixa dormir. Paramos ao fim do primeiro dia, oito horas depois, para jantar. Aguarda-nos uma tenda acolhedora, um colchão duro e uma vista magnífica ao cair da noite. Lá ao fundo, a montanha mostra-se, quer ser cortejada, apreciada. Nada no mundo se compara a esta travessia dos Himalaias.

(clicar na imagem para ver em tamanho grande)

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4 thoughts on “238

  1. Pingback: acabou-se o que era doce I « andar de levante

diga lá qualquer coisinha

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