239


uma noite bem dormida, até às três da manhã. Saída da tenda, hora para o pequeno-almoço, no hotel. estrangeiros ensonados, um ou dois indianos. um good morning muito sonolento. entregam-nos um café e uma caixa: duas sandes panrico com tomate e pepino e um ovo cozido. como tinham, obviamente, sido feitas na noite anterior, ficámo-nos pelo café. uns minutos depois… MOUSE! alguém abriu a sua caixa e tinha lá dentro um ratito. olhou para ela, saltou para a cadeira e andou por ali escondido. ainda bem que eu não tinha tocado na sandes. olhámos todos uns para os outros. rimos. quem estava a mastigar o seu panrico, estagnou.sandes de volta à caixa e um ar de “vamos embora, afinal não tenho fome!”

o mesmo autocarro, olhos fechados até ao nascer do sol. e estamos na lua. uma paisagem seca e árida. areia, pedras, pedregulhos. a estrada é mais fácil e mais difícil. mais alcatrão, menos lama. mais terra batida, menos conforto. subimos e descemos em direção a leh. uns sentem-se mal, outros habituam-se à altitude. esta estrada é uma das mais altas onde se pode circular. a vista descansa, o corpo nem por isso. Nakee La, 4.739 m. Baralacha La, 4.892 m. Taglang La, 5.328 m.

dores de cabeça, tonturas, vómitos, fraqueza são alguns dos sintomas, distribuídos por todos. mas a vista…

a cada paragem, vai fugindo a fome. eu tento resistir, tendo apenas dores de cabeça. mentalmente revejo o que há a fazer e vai resultando. a esta altitude há menos oxigénio, pelo que a oxigenação do cérebro é inferior ao habitual. tento respirar ritmadamente, mais depressa, beber mais água e apanhar ar pela janela. quando não há pó. um mal melhor.

a estrada continua a abalroar os himalaias. a cada troço de alcatrão respiramos de alívio e abrimos as janelas, enquanto dura. aaproximação a leh, o destino final, faz-se a 14 horas depois da partida. a excitação começa a aumentar. alguns templos, muitas rochas, montanhas, areia e pó. à chegada, parece o médio-oriente. há uma zona-oásis, com árvores, mas a maioria do que se avista é cor de areia ou branco. é uma cidade bonita, ainda que nos pareça impossível andar mais do que dez passos.

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3 thoughts on “239

  1. mas que grande aventura, com seres vivos em caixas e tudo! Estou cada vez mais fascinada por estas descrições que me parece estar aí consigo! (morria se encontrasse um rato no meu pequeno almoço:) …
    E como hoje, aqui é dia 2, um grande beijiho de parabéns! que o dia coora tal e qual como deseja e que este ano que hoje começa, lhe traga tudo o que mais deseja. Uma coisa eu sei que ele trará… sabedoria, que quem passa por uma experiencia intensa e fantástica como esta nunca mais pode ser a mesma!
    Um grande beijinho
    Luz

  2. Pingback: acabou-se o que era doce I « andar de levante

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