269


a passear pelas ruelas e becos de srinagar, fotografei prédios e fachadas. voltei. hoje, novamente a passear por becos e ruelas, apontei a máquina e tirei a foto acima. sempre gostei de roupa pendurada a secar. em lisboa, no alentejo ou onde quer que seja.

entretanto, abre-se uma porta. imediatamente, expliquei que estava a fotografar a fachada. acrescentei um very pretty, very pretty, a medo de ser corrida à vassourada. mas não… a senhora insistiu para que eu entrasse. a sua casa e a adjacente eram lindas! uma moderna e obviamente de uma família mais abastada; a outra, tradicional, em madeira e tijolo, linda na mesma. o terraço era o de uma família normal: a mota dos pais e o triciclo dos filhos. roupa estendida.

o bebé berrava de medo, o maiorzinho olhava a medo. a vizinha do lado dividia-se entre observar o rio e observar os estrangeiros.

ofereceram-nos um sumo, mas não quisemos incomodar mais. tirei apenas mais uma foto, à vista do terraço.

não há palavras para descrever…

uns passos fora do terraço e fui fotografar mais: o rio Jhelum ao fundo, a “garagem” em primeiro plano.

a uns dez metros dali, parei. o meu companheiro soprava – farto de tanta fotografia. uma velhota acenou-me à janela.

depois, chamou mais duas mulheres para virem espreitar. praticaram um pouco de inglês, até nos convidaram para subir e tomar um chá. obedientemente, com uma sensação de segurança descontraída, fomos. chá de kashmir e bolachinhas.

exibiram os seus filhos e pediram-nos que os fotografasse.

o mais novo era adorável e estava cheio de medo de mim.

o mais velho, tímido e sorridente…

… até que se transformou no diabo da tasmânia.

e fez com que todas as fotografias fossem desfocadas ou tivessem uma criatura a correr desenfreadamente e a deixar dedadas na minha lente. apeteceu-me tanto metê-lo na ordem…

depois de limpar a lente, mais fotos: as mães.

despedimo-nos com um “até breve”, não sem antes nos convidares para ficar para o jantar (era ainda hora do almoço) e para dormir lá.

fomos embora de coração quente. em kashmir, sobretudo srinagar, as pessoas têm sido muito, muito hospitaleiras. diferentes das de leh. decididamente mais efusivas e curiosas. é uma cidade menos virada para os turistas estrangeiros, pelo que vislumbrar uma mulher de cara tão pálida, que não se sabe vestir decentemente* é motivo para conversa e risada. normalmente de forma muito amistosa.

*eu bem tento: saia comprida, camisolas largas sem decote e que me fazem parecer um saco de batatas, mangas compridas em dias de calor e lenço a tapar os ombros e, quando necessário, a cabeça. mas pareço uma palhaça no meio de mulheres lindas, vestidas impecavelmente e sempre maquilhadas… 😦

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2 thoughts on “269

  1. Ana: estas fotos são espetaculares!!! Para mim, são das melhores!! As crianças estão lindas! As mães também! Estão espetaculares! fotografas muito bem pessoas. Parabéns!

diga lá qualquer coisinha

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