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andava a fazer backup das minhas fotos mais importantes e fui parar ao folder ‘myanmar 2010’. dei por mim a escolher um novo fundo para o ambiente de trabalho e a sonhar com o sonho que foi esta viagem. e a magicar uma outra que quero fazer: passar uma ou duas semanas em kannur, no costa malabari, india, enquanto a monção cai. estar no meio de uma tempestade pode ser assustador. a minha primeira experiência foi em myanmar, em ngwe saung.

começou com uma viagem pela estrada de montanha com o tom way. duas horas e meia de curvas, subidas, descidas, buracos e até um pouco de alcatrão. sobretudo, verde e deslumbramento. e o tom way fazia as suas preces para que não aparecessem elefantes na estrada…

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chegados a ngwe saung, não fiquei maravilhada. o cinzento do dia não revelava muitas cores. pronto, a praia era deserta, pude passear por quilómetros enquanto me apeteceu. havia duas espreguiçadeiras na praia. eu fiquei numa, mas nem dei uns mergulhos. algum frio… fui passear junto à lover’s island, evitei conversar e resisti a um almoço. apetecia-me silêncio, calma e ouvir o mar. mas a ásia tem destas coisas: mar não significa brisa nem cheiro a sal. confesso que estava um pouco desapontada. depois de uma viagem de scooter tão assombrosamente bonita, o destino não estava à altura das expetativas.

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a lover´s island estava sozinha, como eu… inacessível.

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e com pensamentos tão ingratos, o universo zangou-se. comecei a ver o horizonte escuro. mais e mais escuro. depois deixei de o ver. e aproximava-se aquela chuva. aproximava-se ou corria para mim.

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começou a levantar algum vento. deixei de ver a ilha, tão próxima, deixei de ver quase tudo e abrigava-me debaixo da toalha, das roupas, como podia. as gotas quase doiam. não se viam as casas atrás de mim. não se via nada. praias, mar, pessoas. e eu ali sozinha, sem perceber o que fazer. o vento era tão forte que achei que ia voar. correr para me abrigar parecia estúpido – estava encharcada até aos ossos e não sabia em que direção ir… as palmeiras eram batidas pela monção e eu achava que ia ser arrastada. decidi-me: arrisco e corro. para qualquer sítio. fui dar a uma casa e entrei – estava em renovação. reparei que ao lado, noutra casa, havia mais duas pessoas. pareciam calmas, atrás da sua janela, a ver aquilo, o fim do mundo. esperei que me convidassem para entrar e esconder-me das fúrias do tempo. mas não. uns minutos passaram. e acabou tudo. o universo voltou a ser o que era, eu senti-me infantil nos meus medos de ser levada pelo vento. o tom way veio ao meu encontro – assistiu à tareia dos elementos do restaurante, enquanto conversava. disse-me que era hora de nos pormos a caminho: a maré baixara e era ideal para um regresso pela beach road.

com o céu mais limpo, o ar fresco, o calor menos sufocante, lá fomos. não preciso de descrever quão surreal foi passarmos por templos, vacas, habitantes, cabanas e meninos que voltavam da escola. na beach road.
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inevitavelmente, a ira da monção tinha alargado ribeiros, abriu fendas na areia e fez-nos empurrar a mota.

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mas sempre que me virava para trás, o caminho seduzia-me. queria ficar ali, mas ao mesmo tempo partir. ver a distância do areal, aqueles quinze quilómetros meus. só meus.

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aproveitava as avarias da mota para absorver o ar limpo, o mar, aprisionar aquela vista na minha memória, gravá-la nos meus sentidos e convencer-me de que sim, era mesmo eu quem ali estava. era real, surreal e inigualável.

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acabada a estrada de praia, abriram-se os arrozais, passámos florestas de palmeiras, aldeias minúsculas. gritámos mingalaba a quem vimos. acenei a minha alegria, com o brilho nos olhos de quem está feliz.

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atravessámos três rios. de ferry. chegávamos ao cais, assobiávamos ao barco, esperávamos que aparecesse. vinham mais clientes, púnhamos a scooter no ferry e partíamos. partíamos novamente.

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e consertávamos a scooter.

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ainda hoje vivo ngwe saung. este dia, as chapadas da chuva, a vista, o virar de cabeça para a praia que se percorreu. viagens, preparem-se! – 2014 vem aí 🙂

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