dias de tempestade


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“I hate you!” gritou ele, enquanto atirava com toda a força uma régua ao chão, que fez ricochete.

calma, ignora. não vais levantar a voz. vira-te para o computador. ignora, é melhor.

multliplica-se isto por muitos momentos ao longo do dia, mais uma aula para ensinar nos entretantos. quatro disciplinas. cento e vinte cadernos para corrigir.

às vezes esta profissão esmaga-me a alma. pisa-a com afinco, apedreja a vontade de ensinar e quer que eu me esconda num cantinho confortável.

ao que parece esta criança passa metade da semana numa escola onde as salas têm paredes acolchoadas, não vão as réguas transformar-se em cadeiras ou as tesouras em espadas. mas será que isso explica como me sinto? nunca na vida usei tanto a paciência e o auto-controlo. nunca. n.u.n.c.a. m.e.s.m.o. ao fim do dia já não vem o sentimento de realização. pronto, as equivalências com frações até correram bem. a maioria percebeu, trabalhou intensamente e aprendeu. mas esta frustração de ter medo de levar uma tareia de um puto de nove anos não se paga com um ordenado. não traz vontade de trabalhar. não me quer deixar continuar a ser professora. mas o que é que eu vou ser quando crescer?

tempestade

(desculpem o horizonte torto, mas é assim que hoje me sinto…)

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3 thoughts on “dias de tempestade

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